Não consigo mais. Não aguento mais essa vida de ter que fingir a todo segundo que eu acredito na possibilidade de tudo ficar bem. Oras, é óbvio que nada nunca será como antes. Nós não somos mais as mesmas crianças do começo do ano passado. As coisas mudaram. Isso aqui é um Junho diferente do que foi o de um ano atrás. E dá mesmo pra acreditar que eu fui burra ao ponto de acreditar na possibilidade de conseguir trazer tudo de volta? É tudo tão superficial. Tão na cara de que seu interesse não é em mim, e sim nas vantagens que você terá se manter essa postura de meu ‘amiguinho’. Ah, faça-me o favor. Como fui capaz de ser tão estúpida? Olha, tem horas em que eu sinto ódio de amor. Ele me faz acreditar. E isso só me faz sofrer. Só. Eu acreditei e ainda acreditei que tinha conseguido o que queria. Estava tudo tão perfeito. Muita confiança rolando e muita indireta sendo jogada pra cima de um assunto já dado como ‘encerrado’ há muito tempo. As coisas estavam dando certo demais. Ou seja, aquilo não era a minha vida. E eu cheguei a acreditar que era. Cheguei a acreditar que dessa vez, realmente, seria diferente. Acontece que todas as vezes em que a vida me dava motivos pra acreditar nessas frases clichês, ela me deixava feliz por no máximo uma semana, e depois puxava meu tapete. Me mostrava que essa história de ‘vai ser diferente’ e ‘as coisas podem mudar’ é tudo bobeira que algum idiota e desocupado inventou. É que a vida, minha cara Maria Luiza, não é tão fácil quanto criar frases que vão machucar as pessoas. A vida pode ser resumida em uma só palavra: buraco. Porque ela é uma estrada da qual você dá dois passos apenas. Um pra avançar, e o outro pra cair em um buraco que parece não ter fim. E assim vai indo. Você dá um passo adiante, e cai. Depois de um enorme tempo tentando sair lá de dentro, você avança mais um passo, e cai novamente. E assim vai ser. É um ciclo viciante do qual já nascemos prontos pra participar. Acontece que temos que saber que toda queda deixa feridas. Algumas se fecham na hora, outras deixam em você aquela cicatriz terrível, que te fará lembrar a todo segundo como foi a dor.
E foi exatamente isso que eu não sei e ainda não consegui aceitar.
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