Tudo estava claro. Era, verdadeiramente, uma época de carnaval em sua vida. Tudo claro, colorido, feliz. Mas logo essa claridade toda chegou ao seu fim. As coisas foram ficando acinzentadas, perdendo aquele colorido bonito e ganhando cores fúnebres, cores que lembram tristeza, que lembram dor.
Começou a questionar-se o porquê de tamanha infantilidade. Chorava por vergonha de si mesma. Oras, que coisa mais 12 anos chorar por ver alguém que deveria ser teu, nos braços de outra. Já era alguém tão madura, tão ciente de que isso é a vida. De que nem sempre tudo o que você deseja será alcançado.
Porém dessa vez era algo que doía intensamente. Ela queria pegá-lo nos braços e mimar, mimar de todos os jeitos que seu amor a fizesse desejar. Oh, era tão mágica a sensação ao imaginar essa cena. Ele, ali, sendo todo seu, sendo uma parte de si. Nunca saiu da imaginação. Triste isso, bem triste.
Qual seria a razão pra isso, de repente, passar a incomodá-la? Isso nunca fora um problema, nunca. Durante todos esses anos, era algo tão indiferente, nunca teve tamanha importância. Mas agora, meu Deus, como doía. Queria o abraço dele. Queria muito matar a saudade que a matava.
A dor era tanta que transformava-se em lágrimas. Uma quantidade inacreditável delas.
Mas logo isso virava sono. E o sono transformava-se em sonhos, nos quais ele sempre arranjava um jeito de entrar. Um jeito de invadir seus pensamentos até durante os momentos em que poderia ficar sozinha.
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