As pessoas estão sempre com dores ou felicidades maiores que meu sofrimento. E quem sou eu, com essa minha pequenez, para interromper a vida das pessoas?
Os dias parecem amanhecer cada vez mais sem brilho. As coisas, os sorrisos, as pessoas pararam de fazer sentido há um bom tempo.
Tô me sentindo como se estivesse a beira de um precipício, procurando por mãos pra me segurarem por todos os lados e sem ninguém. Sem nada pra me sustentar, pra não me deixar cair.
Na verdade, eu acho que já caí. Estou tão afundada na solidão que não acredito que ainda tenha profundidade abaixo de onde estou parada.
É, parada. Tão sozinha que nem se quer consigo mover-me.
Não consigo mais conter as lágrimas a correrem pelo meu rosto. E acredito que esse seja o único lado bom de tudo isso. Pra quem se sentia entupida porque não conseguia mais chorar, até que estou me saindo bem quando o assunto são lágrimas.
Aqui estou eu, de novo, exercendo a única atividade que consigo agora: chorar. Fico vendo as amizades das pessoas, a consideração que gira em torno delas, e percebo que eu não tenho isso. Não que eu precise de gente me lambendo pra me sentir querida, porque isso pra mim já se chama frescura. Mas carinho, pelo ao menos um pouquinho de carinho de vez em quando, não faz mal à ninguém, né?
Carinho, carinho, abraço, carinho, beijos, carinho, carinho, carinho, carinho... ele... Únicas coisas em que consigo pensar hoje. E em fim.
Não sei, mas parece que a cada segundo eu fico mais perto dele. Fim, limite...
Duas palavras tão distantes, mas parece que cada vez mais próximas da minha realidade.
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