terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mourir

Fui dormir, pela primeira vez, com um desejo insaciável de não ter que enfrentar o dia seguinte. Pensamento péssimo, egoísta e suicida, eu sei. Mas desejo, assim como pensamento, é algo que não se controla. Então não pretendo me culpar por nenhum de meus pensamentos, desejos e ideias suicidas daqui pra frente.
Mas acordei. E estou aqui, tendo de enfrentar tudo isso. Ainda é de manhã, ainda é terça-feira, ainda é Outubro. E eu mal vejo a hora de ser noite, de ser sexta e de chegar Dezembro. Preciso me ver livre. Me ver livre de mim mesma. Eu só cansei. Simples. Cansei de olhar pro reflexo no espelho esperando encontrar uma menina, e só encontrar um corpo enfestado de mágoas e sentimentos que não podem nunca ser revelados.
Não é inveja, nem quero que entendam como. Mas se bem que se entenderem, dane-se. Acontece que não é tão fácil ver todo mundo a sua volta tendo o que quer, e você sem nem chegar perto do que mais queria ter. Mas tudo bem, com isso eu já consegui me adaptar.
Só não estou acostumada com essa solidão. Essa dor, esse buraco aqui dentro de mim não é uma coisa normal, e me destrói de um jeito que nada destrói. É horrível. É como se tudo perdesse o sentido, como se você não conseguisse pensar em mais nada, só na dor que te invade sem dó. A dor ainda é pior porque chorar é impossível nessa situação. É tanta coisa, é tanta dor que não resta tempo pra fabricar lágrimas suficientes. E aí tudo se acumula, e acumula, e acumula, até que explode. Mas explode em novos sentimentos parasitas, e o ciclo reinicia.
Vou confessar algo, que é triste, mas é preciso. Estou chegando a conclusão de que não sou como os outros. As pessoas, geralmente, são felizes e têm momentos tristes. Acho que eu sou ao contrário. Sem drama, falando sério mesmo. Eu odeio drama, odeio que sintam pena de mim. Portanto, não faço. Acontece que minha vida parece um puta de um drama. E quanto a isso, não tenho o que fazer. Só sinto medo disso se tornar um problema ainda maior do que é. Já estou cansada da vida. Tenho 14 anos, um caminho imenso a percorrer, e já não sinto vontade de fazer nada. Estou com medo de desistir de vez. Ainda tenho a única coisa que me dá forças pra querer continuar. E quando eu a perder? O que vai me fazer ficar de pé? Isso pode muito bem passar com o tempo. Mas tudo se trata de momento. Um momento, e acaba-se uma vida, não é?
Não assustem-se, queridos leitores. A escritora não está pensando em suicídio não. Falta muita vontade e muita coragem pra isso algum dia acontecer. Estou falando de um outro fim. Afinal, não basta respirar pra se dizer que está vivo.
E eu estou prestes a morrer.

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